terça-feira, 23 de outubro de 2012

A visita

Abri a porta, assim de leve.
Quis fluir, quis entrar, eu dei passagem.
Só não contava que entrasse pra dentro de mim.
Então eu que tinha aberto a porta da casa, me enganei sabendo que a casa é o coração. Aquele que pensa!
Então depois que entrou, ficou ali, sentado na minha sala, tomando o meu café, e se fazia presente.
Eu como bom anfitrião,observei, dispensei a atenção necessária, pensando assim que como toda visita partiria.
Não partiu!
Ficou ali, no meu sofá, me fazendo ver. Eu pensei, penso, sigo pensando na minha visita. Que não sei como continua, a beber do meu café. Eu sumo de casa uns dias, volto e minha visita continua ali!
Assim leve,serena mas ali. Analisei minha visita, e agora descobri que quero que ele continue ali, ensaiei falar, mas não quis dizer. Então, texto me sirva você de mensageiro, diga que quero que  minha desejada visita fiques, e que agora tome um café não mais a sós. Tome comigo, que atrevido me convido pra entrar!

Leonardo Amorin

sábado, 13 de outubro de 2012

Fortaleza

Até ter sido posto em cheque, nosso amor nunca se afirmou tão incondicional, até o risco ele nunca fora sentido tão forte. E apesar de todos os pesados pesares, esse gostar vai se mostrando cada vez mais encarnado em nós, agora já faz parte da carne, é físico. E é justamente esse mesmo amor, que vai servir de base para ficarmos em pé. É esse mesmo amor que faz de nós, a fortaleza que somos, porquê mesmo desabando nos reerguemos cada vez mais fortes. É só procurar. nossa força está ali  guardada, esperando a hora de ser usada. Posso somente lhe desejar sorte. Força você já tem! E o que vai fazer com ela, é o que  vai possibilitar seu levantar. E no fim todos estaremos de pé. Afinal a fé no amor é o que nos mantém. Boa sorte pra você.

Leonardo Amorin

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Gato morto




Entrando na minha casa. Ouço meu pai esbaforido vir correndo, com certa dificuldade que a idade lhe impusera. Correndo como quem foge desesperado da morte. E eu surpreso um pouco aflito com medo, ouço impassível. "Mataram nossa gata". Assim a seco, sem nenhum rodeio, minha gata de olhos verdes, estava morta. Morta, sim a Marrie, que flutuava como a dona da casa, pelas madrugadas, estava morta. Dura encrespada entre as cadeiras onde ela gostava de dormir. Toda sua vontade apática de vida, estava morta. Ela estava morta. Eu triste, revoltado não reagi, corri de mim, queria encontra-lá, sim a esperança em mim de que  fosse um engano, das vistas cansadas de meu pai. Não era. Marrie que outrora desfilava altiva com seus pelos negros, rajados de cinza pela casa, estava boquiaberta torta no chão. E com ela toda sua altivez se foi. Eu fiquei. Fiquei incomodado olhei-a disfarçadamente, não me atrevi a encara-lá. Ela que era tão tímida, nunca gostou de ser encarada, nesses casos, ela de cima de toda sua certeza de gata amada, encarava de volta e saía  inabalada. Justo ela, que com todo  o costume já mecanizado de sua  espécie, me surpreendia acariciando-me, com seu corpo mole. Se doava tão inteiramente e não precisava de mim. Ela e eu, e  nossa natureza de amar aqueles não precisam da gente. Ela se foi, se foi sem precisar de mim, assim como foi a sua vida, a  vida dela se foi sem precisar de mim. E nós nos amamos mesmo assim!

Leonardo Amorin

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Me toca!



Se tivesse meu eu em ti, me amaria sem dó, mas sem consciência de mim, não saberia o que fazer do amor que tenho por ti, você não saberias do amor que tenho por ti. Isso é como ser louco sem ser doido. sou eu querendo entrar em ti e lhe fazer me amar. Só me amar. Nos amar. Mas eu em ti não me amaria, não me precisaria, não me quereria. Aconselharia à me sentir, e ver se gosta. me tocar e ver se goza!

E essa




E quem serei eu? que com tamanha sofreguidão anseio,em saber dessa mente de poucos? Desse coração que eu sinto batendo louco! Desses olhos que matam a mim, dessas indas e vindas que tanto me doem? Quem é você, que mente tens? Será que  me mentes? Ou simplesmente me sente? E essa mente quase doentia que tanto me atrai, e esse coração louco forte que pulsa bate se retrai, e essa mente linda que sempre me trai?

Nós


E eu que nunca escrevi de nós, sempre falei de mim, de você, mas nunca escrevi nós! Hoje eis que me surpreendo, penso em nós, você atrevido que é , quebrou a minha barreira de solidão bem erguida, com um unico e fatal sorriso, que brotou do coração e se fez ver em seus olhos! Cheios de você, vazios de mim, esquecido do nós!

Leonardo Amorin

Sigo assim



Sigo eu assim, sem dó, com minha solidão que me agrada, com minha liberdade sem jeito, com meus amores esquecidos no meu peito, sinto meu coração batendo oco entre pulmão e intestino, sem sangue a pulsar, sinto de nós esse valoroso exercício, que a cada linha me faz cada vez mais querer te amar!

Leonardo Amorin