
Entrando na minha casa. Ouço meu pai esbaforido vir correndo, com certa dificuldade que a idade lhe impusera. Correndo como quem foge desesperado da morte. E eu surpreso um pouco aflito com medo, ouço impassível. "Mataram nossa gata". Assim a seco, sem nenhum rodeio, minha gata de olhos verdes, estava morta. Morta, sim a Marrie, que flutuava como a dona da casa, pelas madrugadas, estava morta. Dura encrespada entre as cadeiras onde ela gostava de dormir. Toda sua vontade apática de vida, estava morta. Ela estava morta. Eu triste, revoltado não reagi, corri de mim, queria encontra-lá, sim a esperança em mim de que fosse um engano, das vistas cansadas de meu pai. Não era. Marrie que outrora desfilava altiva com seus pelos negros, rajados de cinza pela casa, estava boquiaberta torta no chão. E com ela toda sua altivez se foi. Eu fiquei. Fiquei incomodado olhei-a disfarçadamente, não me atrevi a encara-lá. Ela que era tão tímida, nunca gostou de ser encarada, nesses casos, ela de cima de toda sua certeza de gata amada, encarava de volta e saía inabalada. Justo ela, que com todo o costume já mecanizado de sua espécie, me surpreendia acariciando-me, com seu corpo mole. Se doava tão inteiramente e não precisava de mim. Ela e eu, e nossa natureza de amar aqueles não precisam da gente. Ela se foi, se foi sem precisar de mim, assim como foi a sua vida, a vida dela se foi sem precisar de mim. E nós nos amamos mesmo assim!
Lindo o texto , tenho pena de quem tem coragem de fazer isso com um animal que nao faz nada com ninguem nao maxuca ninguem , uma pessoa dessa é digna de pena por que nao tem explicaçoes para alguem fazer isso , as pessoas precisao de mais amor no coragem perante as pessoas e os animais afinal de contas todos nos temos sentimentos .
ResponderExcluirConcordo com você, morro de pena dessas pessoas!
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