quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Encantando

Nesse escrito encanto do destino, não me deixam deixar de pensar em você!
Assim que poucas vezes visto, com um único despretensioso sorriso, entrou em mim!
E se recusa a sair! Bem sendo assim me resta, pensar em ti.
Então mesmo sem te ver,  pensarei, levarei isso de me encantar por você até o fim.
Depois me viro pra lhe fazer se encantar por mim.
E seguiremos assim encantados, por tudo.
Brincando de nos encantar com o mundo!

Leonardo Amorin

Nessa Hora

A emoção não sabe esperar. É dessas que teme o fim dos tempos! 
Inocente, apressada. Sempre mal dosada.
Emoção que me fez tropeçar em você, e esse tropeço bagunçou tudo.
Me bagunçou todo, e eu vou providenciar para que bagunce você!
Assim te sugiro que sigamos juntos nos bagunçando um pouco, vamos brincar de tentar rir juntos!
Vamos brincar de seduzir,  daí pulamos pra qualquer coisa que o destino queira!
Te sugiro brincar de clichê, vamos tomar um café, e viver somente na hora, essa hora!

Leonardo Amorin

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Bebendo

Ele tinha um apartamento velho que ficava na rua das flores número seis, se chamava Carlos e detestava o número seis, quando comprou o apartamento, fruto de muito esforço, até tentou  trocar o número, mais a burocracia era tanta que acabou desistindo. 
 Era dono de uma vida de desistências , tinha desisto da faculdade, desistido da namorada e também pensava em desistir do emprego, que era bom, pelo menos pagava as contas, que não eram muitas, mas desistiu de largar seu trabalho e continuou morando na rua das flores  número seis. 
 Ele vivia assim. de uma desistência atrás da outra,vivia bem , tinha tempo pro seus rituais, todas as manhãs tomava um banho demorado passava horas olhando a sua imagem refletida no espelho de pedra que tinha no banheiro, se admirava por longos minutos e se aceitava com uma facilidade insuportável, ele era assim, até tinha pensado em lutar contra isso mais desistiu também, e acabou por aceitar quem ele era. No seu mundo de rituais demorados e desistências simples, se recusar era inútil. 
Gastava muitas horas do seu dia pensando nessa aceitação toda, achava que aceitando os problemas e desistindo deles  os encarava, e ninguém podia dizer que não, desistir era uma maneira de lutar, lutava tão bravamente que até se achava vitorioso.
Carlos não era homem muito popular, mas contava com algumas amizades, alguns dos amigos mais próximos as vezes passavam de surpresa na rua das flores pra fazer uma visita, não se pode negar que isso alegrava o anfitrião mais acima de tudo no fundo de sua simpatia existia uma frustração qualquer que não se conseguia descobrir mas se sentia cortante na pele, assim como Carlos nunca terminará um livro. um visitante nunca se demorou mais que uma hora no apartamento número seis, talvez fosse o café sem doce ou qualquer coisa no humor frágil de Carlos que indicava que era hora de ir embora. Assim o faziam,  despediam-se rápido e já em pé no meio da sala cor de tijolos trocavam um afetuoso aperto de mão, era sempre assim e a vida seguia entre banhos demorados e visitas rápidas que estavam cada vez mais raras.
Na última quarta-feira de dezembro sentando no sofá branco, bebendo  café sem açúcar o homem moreno, de vinte e sete primaveras percebe de súbito que a vida ia passando, ia passando enquanto segurava a xícara de café quente e engolia com esforço o café sem doce, a realidade do seu mundo se abateu sobre ele, ficou tudo tão claro, o café que ele bebia era ele, sem açúcar, forte e sem marca, quase sem vida, a realidade desses pensamentos fazia com que ele bebesse cada vez mais depressa em um ritual quase antropofágico e que doía na carne, a vida ia passando pelo número seis.
Quando ele terminou o café a vida já não podia ser mais a mesma, aquela quarta-feira não seria mais a mesma, de um salto ele se põe de pé e perplexo percebe que ele andava adoçando o café com sua solidão, bebeu outra xícara de café e com ela engoliu suas desistências, na sexta-feira o apartamento na rua das flores era numerado pelo sete.

A visita

Abri a porta, assim de leve.
Quis fluir, quis entrar, eu dei passagem.
Só não contava que entrasse pra dentro de mim.
Então eu que tinha aberto a porta da casa, me enganei sabendo que a casa é o coração. Aquele que pensa!
Então depois que entrou, ficou ali, sentado na minha sala, tomando o meu café, e se fazia presente.
Eu como bom anfitrião,observei, dispensei a atenção necessária, pensando assim que como toda visita partiria.
Não partiu!
Ficou ali, no meu sofá, me fazendo ver. Eu pensei, penso, sigo pensando na minha visita. Que não sei como continua, a beber do meu café. Eu sumo de casa uns dias, volto e minha visita continua ali!
Assim leve,serena mas ali. Analisei minha visita, e agora descobri que quero que ele continue ali, ensaiei falar, mas não quis dizer. Então, texto me sirva você de mensageiro, diga que quero que  minha desejada visita fiques, e que agora tome um café não mais a sós. Tome comigo, que atrevido me convido pra entrar!

Leonardo Amorin

sábado, 13 de outubro de 2012

Fortaleza

Até ter sido posto em cheque, nosso amor nunca se afirmou tão incondicional, até o risco ele nunca fora sentido tão forte. E apesar de todos os pesados pesares, esse gostar vai se mostrando cada vez mais encarnado em nós, agora já faz parte da carne, é físico. E é justamente esse mesmo amor, que vai servir de base para ficarmos em pé. É esse mesmo amor que faz de nós, a fortaleza que somos, porquê mesmo desabando nos reerguemos cada vez mais fortes. É só procurar. nossa força está ali  guardada, esperando a hora de ser usada. Posso somente lhe desejar sorte. Força você já tem! E o que vai fazer com ela, é o que  vai possibilitar seu levantar. E no fim todos estaremos de pé. Afinal a fé no amor é o que nos mantém. Boa sorte pra você.

Leonardo Amorin

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Gato morto




Entrando na minha casa. Ouço meu pai esbaforido vir correndo, com certa dificuldade que a idade lhe impusera. Correndo como quem foge desesperado da morte. E eu surpreso um pouco aflito com medo, ouço impassível. "Mataram nossa gata". Assim a seco, sem nenhum rodeio, minha gata de olhos verdes, estava morta. Morta, sim a Marrie, que flutuava como a dona da casa, pelas madrugadas, estava morta. Dura encrespada entre as cadeiras onde ela gostava de dormir. Toda sua vontade apática de vida, estava morta. Ela estava morta. Eu triste, revoltado não reagi, corri de mim, queria encontra-lá, sim a esperança em mim de que  fosse um engano, das vistas cansadas de meu pai. Não era. Marrie que outrora desfilava altiva com seus pelos negros, rajados de cinza pela casa, estava boquiaberta torta no chão. E com ela toda sua altivez se foi. Eu fiquei. Fiquei incomodado olhei-a disfarçadamente, não me atrevi a encara-lá. Ela que era tão tímida, nunca gostou de ser encarada, nesses casos, ela de cima de toda sua certeza de gata amada, encarava de volta e saía  inabalada. Justo ela, que com todo  o costume já mecanizado de sua  espécie, me surpreendia acariciando-me, com seu corpo mole. Se doava tão inteiramente e não precisava de mim. Ela e eu, e  nossa natureza de amar aqueles não precisam da gente. Ela se foi, se foi sem precisar de mim, assim como foi a sua vida, a  vida dela se foi sem precisar de mim. E nós nos amamos mesmo assim!

Leonardo Amorin

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Me toca!



Se tivesse meu eu em ti, me amaria sem dó, mas sem consciência de mim, não saberia o que fazer do amor que tenho por ti, você não saberias do amor que tenho por ti. Isso é como ser louco sem ser doido. sou eu querendo entrar em ti e lhe fazer me amar. Só me amar. Nos amar. Mas eu em ti não me amaria, não me precisaria, não me quereria. Aconselharia à me sentir, e ver se gosta. me tocar e ver se goza!

E essa




E quem serei eu? que com tamanha sofreguidão anseio,em saber dessa mente de poucos? Desse coração que eu sinto batendo louco! Desses olhos que matam a mim, dessas indas e vindas que tanto me doem? Quem é você, que mente tens? Será que  me mentes? Ou simplesmente me sente? E essa mente quase doentia que tanto me atrai, e esse coração louco forte que pulsa bate se retrai, e essa mente linda que sempre me trai?

Nós


E eu que nunca escrevi de nós, sempre falei de mim, de você, mas nunca escrevi nós! Hoje eis que me surpreendo, penso em nós, você atrevido que é , quebrou a minha barreira de solidão bem erguida, com um unico e fatal sorriso, que brotou do coração e se fez ver em seus olhos! Cheios de você, vazios de mim, esquecido do nós!

Leonardo Amorin

Sigo assim



Sigo eu assim, sem dó, com minha solidão que me agrada, com minha liberdade sem jeito, com meus amores esquecidos no meu peito, sinto meu coração batendo oco entre pulmão e intestino, sem sangue a pulsar, sinto de nós esse valoroso exercício, que a cada linha me faz cada vez mais querer te amar!

Leonardo Amorin