Ele tinha um apartamento velho que ficava na rua das flores número seis, se chamava Carlos e detestava o número seis, quando comprou o apartamento, fruto de muito esforço, até tentou trocar o número, mais a burocracia era tanta que acabou desistindo.
Era dono de uma vida de desistências , tinha desisto da faculdade, desistido da namorada e também pensava em desistir do emprego, que era bom, pelo menos pagava as contas, que não eram muitas, mas desistiu de largar seu trabalho e continuou morando na rua das flores número seis.
Ele vivia assim. de uma desistência atrás da outra,vivia bem , tinha tempo pro seus rituais, todas as manhãs tomava um banho demorado passava horas olhando a sua imagem refletida no espelho de pedra que tinha no banheiro, se admirava por longos minutos e se aceitava com uma facilidade insuportável, ele era assim, até tinha pensado em lutar contra isso mais desistiu também, e acabou por aceitar quem ele era. No seu mundo de rituais demorados e desistências simples, se recusar era inútil.
Gastava muitas horas do seu dia pensando nessa aceitação toda, achava que aceitando os problemas e desistindo deles os encarava, e ninguém podia dizer que não, desistir era uma maneira de lutar, lutava tão bravamente que até se achava vitorioso.
Carlos não era homem muito popular, mas contava com algumas amizades, alguns dos amigos mais próximos as vezes passavam de surpresa na rua das flores pra fazer uma visita, não se pode negar que isso alegrava o anfitrião mais acima de tudo no fundo de sua simpatia existia uma frustração qualquer que não se conseguia descobrir mas se sentia cortante na pele, assim como Carlos nunca terminará um livro. um visitante nunca se demorou mais que uma hora no apartamento número seis, talvez fosse o café sem doce ou qualquer coisa no humor frágil de Carlos que indicava que era hora de ir embora. Assim o faziam, despediam-se rápido e já em pé no meio da sala cor de tijolos trocavam um afetuoso aperto de mão, era sempre assim e a vida seguia entre banhos demorados e visitas rápidas que estavam cada vez mais raras.
Na última quarta-feira de dezembro sentando no sofá branco, bebendo café sem açúcar o homem moreno, de vinte e sete primaveras percebe de súbito que a vida ia passando, ia passando enquanto segurava a xícara de café quente e engolia com esforço o café sem doce, a realidade do seu mundo se abateu sobre ele, ficou tudo tão claro, o café que ele bebia era ele, sem açúcar, forte e sem marca, quase sem vida, a realidade desses pensamentos fazia com que ele bebesse cada vez mais depressa em um ritual quase antropofágico e que doía na carne, a vida ia passando pelo número seis.
Quando ele terminou o café a vida já não podia ser mais a mesma, aquela quarta-feira não seria mais a mesma, de um salto ele se põe de pé e perplexo percebe que ele andava adoçando o café com sua solidão, bebeu outra xícara de café e com ela engoliu suas desistências, na sexta-feira o apartamento na rua das flores era numerado pelo sete.
Carlos não era homem muito popular, mas contava com algumas amizades, alguns dos amigos mais próximos as vezes passavam de surpresa na rua das flores pra fazer uma visita, não se pode negar que isso alegrava o anfitrião mais acima de tudo no fundo de sua simpatia existia uma frustração qualquer que não se conseguia descobrir mas se sentia cortante na pele, assim como Carlos nunca terminará um livro. um visitante nunca se demorou mais que uma hora no apartamento número seis, talvez fosse o café sem doce ou qualquer coisa no humor frágil de Carlos que indicava que era hora de ir embora. Assim o faziam, despediam-se rápido e já em pé no meio da sala cor de tijolos trocavam um afetuoso aperto de mão, era sempre assim e a vida seguia entre banhos demorados e visitas rápidas que estavam cada vez mais raras.
Na última quarta-feira de dezembro sentando no sofá branco, bebendo café sem açúcar o homem moreno, de vinte e sete primaveras percebe de súbito que a vida ia passando, ia passando enquanto segurava a xícara de café quente e engolia com esforço o café sem doce, a realidade do seu mundo se abateu sobre ele, ficou tudo tão claro, o café que ele bebia era ele, sem açúcar, forte e sem marca, quase sem vida, a realidade desses pensamentos fazia com que ele bebesse cada vez mais depressa em um ritual quase antropofágico e que doía na carne, a vida ia passando pelo número seis.
Quando ele terminou o café a vida já não podia ser mais a mesma, aquela quarta-feira não seria mais a mesma, de um salto ele se põe de pé e perplexo percebe que ele andava adoçando o café com sua solidão, bebeu outra xícara de café e com ela engoliu suas desistências, na sexta-feira o apartamento na rua das flores era numerado pelo sete.
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