domingo, 25 de fevereiro de 2018


Nessa hora

A emoção não sabe esperar, é dessas que teme o fim dos tempos! 
Inocente, apressada, no nosso caso sempre mal dosada.
Emoção que me fez tropeçar em você, e esse tropeço bagunçou tudo,me bagunçou todo e eu vou providenciar para que bagunce você!
Assim ,te sugiro que sigamos juntos nos bagunçando um pouco, vamos brincar de tentar amar juntos?
Vamos brincar de seduzir?  
Daí pulamos pra qualquer coisa que o destino queira!
Te sugiro brincar de clichê, vamos tomar um café, e viver somente na hora, essa hora. 
Eu quero brincar de me apaixonar por você, que com esses olhos castanhos, cheios de paixões me encantou por inteiro. 
Claro que foi preciso emoção, mas você é todo feito disso, é gente, gente mesmo, de carne e imperfeição.  E eu, quando vi esses desejos grandes que partem de ti, abri minhas portas, constui minhas pontes e percebi que alheio a todo o meu desejo eu já o tinha pra mim. 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Os olhos do moço

Ele tem olhos castanhos que adornam um rosto moreno cheio de paixões. Conhece desses olhos que engolem a gente? Não?
Entendo, nem todos nós conhecemos alguém assim, mas eu trato logo de explicar, primeiro, só entenda que pra chegar onde aqueles olhos foram é preciso encantamento, afinal, aquele moço moreno era todo feito disso. Sua matéria prima era gente. gente mesmo, de carne e imperfeição. Não me demorarei mais, pois aqui chegamos e explico a sensação que aqueles olhos me causaram. Eles me engoliram, não de forma brutal, eram olhos doces, ávidos por qualquer sensação, afinal eram de gente, gente por completo, não gente como a gente e por isso me engoliram, eu abri uma fresta de olho e vi aqueles olhos grandes, com cílios atrevidos que me convidavam a abrir meus olhos, aí eu abri, e quando quis percebi que alheio a todo meu desejo estava no fundo no olhos daquele moço de brasis. 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Necessidade do Verbo

 Com a vontade nua de seguir, entrei meio a contragosto naquele carro. Afogueado, que estavas, não havia reparado em ti. A estrada foi me vencendo, minha irritação se diluía na neblina da alta noite. Olhei pra ti. Estava ali, calado, casmurro, cuidando distraidamente da sua existência, Existência essa que me pareceu por completo. A linha da sua cara de homem, a linha do seu queixo bem marcada, a expressão limpa, que corria por toda a extensão de braços e pernas que de forma atrevida existiam, e se faziam existir. 
  Sua boca te desmentia, não era terrena, existia nela uma mentira qualquer que despertava fascínio, e fazia assim com toda sua  existência, plenitude.  
   Plenitude, era digno de minha inveja, Reunia em ti toda a existência do mundo e eras de forma doce preso as correntes da liberdade.
  Quando ensaiou de abrir a boca, tive a impressão de que Zeus em pessoa estivesse do meu lado. Que exagerado sou. Com meia palavra balbuciada entre dentes, fez com que eu deseja-se que a estrada fosse interminável, cheguei a sonhar com a possibilidade de não ter fim. Tua existência era digna de ser aprendida. De ser copiada, Desesperado, notei com certa inquietação, que você pertencia a si e pronto. Tentar apreender seria suicídio. Não saberia me comprar da mesma forma que não sei me vender. 
 Nosso destino chegou, entristeci com a despedida mas, sei que fui mais forte que ti. Desci pleno da certeza de sua existência, e não olhei para trás nem em pensamento. você sumiu de mim quando virei a esquina, E por meio do meu ser voltei a viver. Já em casa, percebi que tua plenitude era também minha. Sim, minha. 
Era também minha. 
              Vinha também do meu eu, que quando entrei naquele carro, estava cansado, cansado da luta. Precisava de liberdade. um ato que fosse. Ato esse que me fosse caro e que eu não precisa-se arcar. Afinal a vida é cara. Tomei de ti, toda a expressão da calma. Casmurro que o eras, estava na completude do seu ser, cheio de calma. Calma que era meu ato. Minha porta de fuga da luta. Aí eu entrei. Entrei e me deparei boquiaberto com toda sua existência, Que era também minha, e era minha por que nasceu da necessidade do meu verbo. 
                                                                             Cássio Leonardo 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Vocês podem ter se esquecido da cidade, mas nós não!

"Ir pra rua fiscalizar é mostrar  para os políticos que está na hora de acordar. Mudar os rumos da gestão política da cidade está em nossas mãos. Lutar por uma cidade com infraestrutura digna de seus moradores é nosso dever. Então o grupo SETE LAGOAS EM REVOLUÇÃO, convoca toda a população ás ruas, vamos exercer nossa cidadania e mostrar que a voz tem poder.Não abandonar nossa cidade é o seu dever!"

terça-feira, 11 de junho de 2013

Corpo

Corpo é alado
Corpo é sentido
Corpo não é pecado
Corpo não é proibido
Fora do corpo não há salvação
Corpo é santo
Não é perdição 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Desconexo

Enquanto longe não existe, que o perto não se faça. Não se invade assim um outro ser, não se deixa ser invadido desta maneira. Longe de mim tu não existes, perto rouba meu ser, parece que nesses momentos tu vive de mim! Com que direito? Qual esse poder? Ou melhor, qual é minha fraqueza em você?

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Carta ao meu filho mais velho...

Ainda me lembro o dia em que você chegou...
Sentado alí na minha sala, juntamente com "aquela que não se deve ser nomeada" e eu trancada no quarto sem querer sair...
Totalmente mal educada, em pleno natal...
E então quando abri a porta, ví você sentado lá, e descobri então que tinha ganho o meu presente: O meu filho (hoje mais velho).
Ás vezes (tá, quase sempre) não demonstro muito o tamanho do meu amor por você, aliás, pelas pessoas que me rodeiam...
É o meu egoísmo, a minha necessidade de ser amada mais do que amar... E isso você tira de letra.
Talvez seja por isso que tenha se tornado meu filho mais velho... Tão parecido comigo.
Mas enfim...
EU TE AMO.
Tenho orgulho do que você é, de quem você é, do que se tornou e do que ainda vai se tornar.
Porque o seu futuro é brilhante.
Porque seu irmão mais novo vai se espelhar em você para muitas coisas durante o crescimento dele.
Não posso nem devo te segurar do meu lado, querer tirar todas as pedras do seu caminho, você precisa tropeçar nelas para se tornar mais forte.
Mas SEMPRE, este colo vai estar aqui para te afagar.
SEMPRE estas mãos vão estar aqui para de proteger (e esbofetear quem ousar te fazer mal).
SEMPRE você vai ter para onde voltar quando quiser partir.
SEMPRE o meu menino, o meu filho mais velho.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Encantando

Nesse escrito encanto do destino, não me deixam deixar de pensar em você!
Assim que poucas vezes visto, com um único despretensioso sorriso, entrou em mim!
E se recusa a sair! Bem sendo assim me resta, pensar em ti.
Então mesmo sem te ver,  pensarei, levarei isso de me encantar por você até o fim.
Depois me viro pra lhe fazer se encantar por mim.
E seguiremos assim encantados, por tudo.
Brincando de nos encantar com o mundo!

Leonardo Amorin

Nessa Hora

A emoção não sabe esperar. É dessas que teme o fim dos tempos! 
Inocente, apressada. Sempre mal dosada.
Emoção que me fez tropeçar em você, e esse tropeço bagunçou tudo.
Me bagunçou todo, e eu vou providenciar para que bagunce você!
Assim te sugiro que sigamos juntos nos bagunçando um pouco, vamos brincar de tentar rir juntos!
Vamos brincar de seduzir,  daí pulamos pra qualquer coisa que o destino queira!
Te sugiro brincar de clichê, vamos tomar um café, e viver somente na hora, essa hora!

Leonardo Amorin

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Bebendo

Ele tinha um apartamento velho que ficava na rua das flores número seis, se chamava Carlos e detestava o número seis, quando comprou o apartamento, fruto de muito esforço, até tentou  trocar o número, mais a burocracia era tanta que acabou desistindo. 
 Era dono de uma vida de desistências , tinha desisto da faculdade, desistido da namorada e também pensava em desistir do emprego, que era bom, pelo menos pagava as contas, que não eram muitas, mas desistiu de largar seu trabalho e continuou morando na rua das flores  número seis. 
 Ele vivia assim. de uma desistência atrás da outra,vivia bem , tinha tempo pro seus rituais, todas as manhãs tomava um banho demorado passava horas olhando a sua imagem refletida no espelho de pedra que tinha no banheiro, se admirava por longos minutos e se aceitava com uma facilidade insuportável, ele era assim, até tinha pensado em lutar contra isso mais desistiu também, e acabou por aceitar quem ele era. No seu mundo de rituais demorados e desistências simples, se recusar era inútil. 
Gastava muitas horas do seu dia pensando nessa aceitação toda, achava que aceitando os problemas e desistindo deles  os encarava, e ninguém podia dizer que não, desistir era uma maneira de lutar, lutava tão bravamente que até se achava vitorioso.
Carlos não era homem muito popular, mas contava com algumas amizades, alguns dos amigos mais próximos as vezes passavam de surpresa na rua das flores pra fazer uma visita, não se pode negar que isso alegrava o anfitrião mais acima de tudo no fundo de sua simpatia existia uma frustração qualquer que não se conseguia descobrir mas se sentia cortante na pele, assim como Carlos nunca terminará um livro. um visitante nunca se demorou mais que uma hora no apartamento número seis, talvez fosse o café sem doce ou qualquer coisa no humor frágil de Carlos que indicava que era hora de ir embora. Assim o faziam,  despediam-se rápido e já em pé no meio da sala cor de tijolos trocavam um afetuoso aperto de mão, era sempre assim e a vida seguia entre banhos demorados e visitas rápidas que estavam cada vez mais raras.
Na última quarta-feira de dezembro sentando no sofá branco, bebendo  café sem açúcar o homem moreno, de vinte e sete primaveras percebe de súbito que a vida ia passando, ia passando enquanto segurava a xícara de café quente e engolia com esforço o café sem doce, a realidade do seu mundo se abateu sobre ele, ficou tudo tão claro, o café que ele bebia era ele, sem açúcar, forte e sem marca, quase sem vida, a realidade desses pensamentos fazia com que ele bebesse cada vez mais depressa em um ritual quase antropofágico e que doía na carne, a vida ia passando pelo número seis.
Quando ele terminou o café a vida já não podia ser mais a mesma, aquela quarta-feira não seria mais a mesma, de um salto ele se põe de pé e perplexo percebe que ele andava adoçando o café com sua solidão, bebeu outra xícara de café e com ela engoliu suas desistências, na sexta-feira o apartamento na rua das flores era numerado pelo sete.

A visita

Abri a porta, assim de leve.
Quis fluir, quis entrar, eu dei passagem.
Só não contava que entrasse pra dentro de mim.
Então eu que tinha aberto a porta da casa, me enganei sabendo que a casa é o coração. Aquele que pensa!
Então depois que entrou, ficou ali, sentado na minha sala, tomando o meu café, e se fazia presente.
Eu como bom anfitrião,observei, dispensei a atenção necessária, pensando assim que como toda visita partiria.
Não partiu!
Ficou ali, no meu sofá, me fazendo ver. Eu pensei, penso, sigo pensando na minha visita. Que não sei como continua, a beber do meu café. Eu sumo de casa uns dias, volto e minha visita continua ali!
Assim leve,serena mas ali. Analisei minha visita, e agora descobri que quero que ele continue ali, ensaiei falar, mas não quis dizer. Então, texto me sirva você de mensageiro, diga que quero que  minha desejada visita fiques, e que agora tome um café não mais a sós. Tome comigo, que atrevido me convido pra entrar!

Leonardo Amorin

sábado, 13 de outubro de 2012

Fortaleza

Até ter sido posto em cheque, nosso amor nunca se afirmou tão incondicional, até o risco ele nunca fora sentido tão forte. E apesar de todos os pesados pesares, esse gostar vai se mostrando cada vez mais encarnado em nós, agora já faz parte da carne, é físico. E é justamente esse mesmo amor, que vai servir de base para ficarmos em pé. É esse mesmo amor que faz de nós, a fortaleza que somos, porquê mesmo desabando nos reerguemos cada vez mais fortes. É só procurar. nossa força está ali  guardada, esperando a hora de ser usada. Posso somente lhe desejar sorte. Força você já tem! E o que vai fazer com ela, é o que  vai possibilitar seu levantar. E no fim todos estaremos de pé. Afinal a fé no amor é o que nos mantém. Boa sorte pra você.

Leonardo Amorin

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Gato morto




Entrando na minha casa. Ouço meu pai esbaforido vir correndo, com certa dificuldade que a idade lhe impusera. Correndo como quem foge desesperado da morte. E eu surpreso um pouco aflito com medo, ouço impassível. "Mataram nossa gata". Assim a seco, sem nenhum rodeio, minha gata de olhos verdes, estava morta. Morta, sim a Marrie, que flutuava como a dona da casa, pelas madrugadas, estava morta. Dura encrespada entre as cadeiras onde ela gostava de dormir. Toda sua vontade apática de vida, estava morta. Ela estava morta. Eu triste, revoltado não reagi, corri de mim, queria encontra-lá, sim a esperança em mim de que  fosse um engano, das vistas cansadas de meu pai. Não era. Marrie que outrora desfilava altiva com seus pelos negros, rajados de cinza pela casa, estava boquiaberta torta no chão. E com ela toda sua altivez se foi. Eu fiquei. Fiquei incomodado olhei-a disfarçadamente, não me atrevi a encara-lá. Ela que era tão tímida, nunca gostou de ser encarada, nesses casos, ela de cima de toda sua certeza de gata amada, encarava de volta e saía  inabalada. Justo ela, que com todo  o costume já mecanizado de sua  espécie, me surpreendia acariciando-me, com seu corpo mole. Se doava tão inteiramente e não precisava de mim. Ela e eu, e  nossa natureza de amar aqueles não precisam da gente. Ela se foi, se foi sem precisar de mim, assim como foi a sua vida, a  vida dela se foi sem precisar de mim. E nós nos amamos mesmo assim!

Leonardo Amorin

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Me toca!



Se tivesse meu eu em ti, me amaria sem dó, mas sem consciência de mim, não saberia o que fazer do amor que tenho por ti, você não saberias do amor que tenho por ti. Isso é como ser louco sem ser doido. sou eu querendo entrar em ti e lhe fazer me amar. Só me amar. Nos amar. Mas eu em ti não me amaria, não me precisaria, não me quereria. Aconselharia à me sentir, e ver se gosta. me tocar e ver se goza!

E essa




E quem serei eu? que com tamanha sofreguidão anseio,em saber dessa mente de poucos? Desse coração que eu sinto batendo louco! Desses olhos que matam a mim, dessas indas e vindas que tanto me doem? Quem é você, que mente tens? Será que  me mentes? Ou simplesmente me sente? E essa mente quase doentia que tanto me atrai, e esse coração louco forte que pulsa bate se retrai, e essa mente linda que sempre me trai?

Nós


E eu que nunca escrevi de nós, sempre falei de mim, de você, mas nunca escrevi nós! Hoje eis que me surpreendo, penso em nós, você atrevido que é , quebrou a minha barreira de solidão bem erguida, com um unico e fatal sorriso, que brotou do coração e se fez ver em seus olhos! Cheios de você, vazios de mim, esquecido do nós!

Leonardo Amorin

Sigo assim



Sigo eu assim, sem dó, com minha solidão que me agrada, com minha liberdade sem jeito, com meus amores esquecidos no meu peito, sinto meu coração batendo oco entre pulmão e intestino, sem sangue a pulsar, sinto de nós esse valoroso exercício, que a cada linha me faz cada vez mais querer te amar!

Leonardo Amorin

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Concebido


Era inicio de noite, uma noite de lua cheia. A lua se exibia formosa e radiante no céu, aquela era a chamada lua dos namorados, mas não para aqueles dois jovens que acabaram de se conhecer.
Mônica e Rafael se conheceram em um bar, Mônica vestia uma blusa verde rendada, usava cabelos soltos, uma maquiagem leve, ela nunca fora muito ousada, somente ressaltava aqueles lindos olhos, verdes que talvez fosse o que ela tinha de mais belo no rosto. Ela estava sentada sozinha, esperava algumas amigas. Foi quando viu Rafael entrar. Rafael era alto, esguio, tinha cabelos negros, olhos também negros, o que o dava um olhar de mistério o que tanto a agradava. Rafael se sentou no balcão, pediu um uísque, com pouco gelo e pouca água, Mônica que já estava enjoada de esperar decidiu a seu modo colocar um pouco de emoção na sua noite. Dirigiu-se ao balcão e sentou-se ao lado daquele homem que desde que entrara no bar não desgrudou os olhos dela.
Rafael, galanteador não perdeu tempo e jorraram todas suas cantadas, ensaiadas na frente no espelho em cima dela.
Mônica não se fez de difícil e esquecendo-se das amigas que nesta altura já haviam chegado, saiu do bar e foi caminhar com ele.
 - Linda noite não? Pergunta Rafael num sussurro.
-Linda sim! Concorda uma envergonhada Mônica.
-Mais linda que a noite, existe somente você e a intensidade desses olhos tão verdes! Onde foi que os conseguiu?
-Herança da minha mãe! Responde, um pouco mais a vontade.
Ele estava sinceramente encantado por aqueles olhos, que viviam sempre a sombra de cabelos muito vermelhos que caíam leves sob os ombros de Mônica.
Caminhavam já há bastante tempo. E Rafael a cada passo mais apaixonado. Mônica além de linda, era inteligente e bem sucedida com apenas 20 anos, já estava construindo uma carreira como cantora, não havia um bar em toda Belo horizonte que não conhecesse a voz rouca e poderosa que contradizia aquele rosto calmo e aquele comportamento dócil de Mônica!
Andaram e conversaram tanto, que der repente se encontravam na Praça Juscelino Kubitschek, sentaram-se, e contemplaram a lua.
Rafael contando da sua vida, da sua recente viajem a Alemanha, de seu trabalho como fotografo. Rafael ainda quando criança se apaixonara por fotografia, paixão incentivada pelo seu pai, que mesmo achando aquilo uma perda de tempo nunca o desmotivou.
- Dizem que lua cheia é a lua dos namorados! Sussurra Rafael, continuando em tom de sussurro e se aproximando cada vez mais dos lábios de Mônica. A lua cheia a mais linda do mês, a que mais me encanta, só que lua acaba de ficar enciumada, achei uma mulher que consegue ofuscar o brilho dela!
Com essas doces palavras Rafael beija Mônica de leve, toca somente seus lábios inferiores, com movimentos calmos vai aprofundando aquele beijo. Mônica totalmente passiva, estática quase apática.
- o que foi? Não está gostando?
-Muito! Responde Mônica!
Assim Rafael continua até que de súbito Mônica o agarra nos braços e começa a beijá-lo tão fervorosamente que o ar já não é mais necessário por alguns minutos. Mônica passa em segundos de garota tímida a uma mulher selvagem. Rafael se assusta de inicio, mas a deixa continuar. Descendo a mão sob suas pernas, Rafael provoca arrepios em toda a pele branca de Mônica que nesse momento está com as mãos nas costas de Rafael aquele beijo vai ficando cada vez mais quente, cada vez mais forte, há quanto tempo Rafael não sentia aquilo por uma mulher!
Mônica por sua vez, já estava acostumada a despertar aquele tipo de sentimento nos homens e para ela aquilo não passaria de mais uma noite de prazer.
Dali eles vão para um motel qualquer, e lá Rafael se entrega aos carinhos de Mônica, Rafael começa a tirar rapidamente as roupas, praticamente arranca as roupas de Mônica que está impecavelmente vestida com uma calcinha preta de renda, aquela calcinha evidencia ainda mais sua pele alva, seu sutiã foi tirado tão às pressas, que aqueles belos seios perfeitos aos olhos de Rafael, manilham-se firmes e rosados. Seios que cabiam nas mãos grandes dele que já despido beijava todo o corpo de Mônica e arrancava verdadeiros urros de prazer, Mônica num movimento rápido senta-se no falo já erguido, e com movimentos bem trabalhados, faz Rafael gritar. Enquanto Mônica cavalga incessantemente ele a beija, e mordisca aqueles belos seios, alternando entre um e outro, enquanto isso Mônica intensificava cada vez mais os movimentos arrancando gemidos guturais de Rafael que gozou fortemente. Mônica sentiu aquele liquido quente e viscoso escorrer pelas suas pernas e só depois disso ele se deram conta de que fizeram sexo sem a menor proteção.
Depois daquilo, Rafael estava apaixonado e quase não se preocupou com o fato de não terem usado camisinha. Mônica racional e fria estava aos berros naquele quarto medíocre de motel barato. -Como fomos tão imprudentes? Berrava Mônica furiosa
-Você imagina os riscos que corremos, e se... Mônica pensou bem antes de continuar e não continuou
Rafael parecendo anestesiado quase não ouvira os gritos de Mônica, que nesse momento já estava vestida e tinha chamado um táxi para ir pra casa.
Saíram juntos do motel e cada um seguiu seu rumo, Rafael meio abobado, se esqueceu de pedir o telefone de Mônica e ela irritada nem se lembrava do nome do homem com quem acabara de transar.
Chegando em casa Mônica se depara com o marido, sentando no sofá, fumando um cigarro e bebendo um uísque. – O que faz em casa Marcelo? Você não estava em São Paulo visitando seus filhos?
-Acho que quem deve fazer perguntas sou eu! Você me disse que iria ficar em casa hoje quando nos falamos!
-Decidi sair, tomar uma cerveja com algumas amigas!
- Quais amigas? As que deixaram recado perguntando quem era o cara com quem você saiu do bar?
Nesse momento Marcelo liga secretaria eletrônica e Mônica ouve atônita!
-Eu posso explicar! Diz Mônica já desesperada, era só um amigo.
-Mônica, preserve o pouco que ainda lhe resta de dignidade, essa não é a primeira vez! Você acha que eu sou burro? Bem talvez eu seja por muito tempo me fiz de cego para todas as suas mentiras, sempre chegando tarde, embriagada, cheirando a homem. E eu bobo, apaixonado como sempre, curando seus pileques e agüentando seu insuportável teatro, tentando me convencer de que nada tinha feito de errado, e olha!  Eu nem havia te cobrado nada, você burra se entregava!
-Marcelo esqueça isso, prometo que vou mudar!
-A mesma ladainha de sempre, já cansei de escutar isso, agora chega eu me cansei de você, me cansei de suas mentiras, me cansei de amar por nós dois, você não enxerga nada além do seu umbigo!
-Marcelo não seja ridículo! Ironiza Mônica
-Ridículo! Marcelo a arrasta até o espelho da sala olha bem pra isso, olha o que você é, o que sempre foi! Uma ninguém aspirante a Rock star, que agora virou uma quase puta, por que de tão incompetente, nem pra puta serve se deita por deitar!
-Você está me ofendendo! Esbraveja Mônica
-Não mais do que você me ofendeu durante esses quatro anos! Grita Marcelo perdendo toda a calma
-Quatro anos! Repete Mônica enquanto anda de um lado para o outro, você se lembra?  Eu era só uma menina e você um homem feito, mesmo assim a minha idade não te impediu seu porco imundo, mesmo eu sendo uma criança, você me comeu, me machucou me engravidou e me obrigou a abortar! Acho que nenhum de nós pode falar de dignidade.
- Você sempre gostou, como diria sua mãe sempre foi uma vadia, escondida atrás desses olhos verdes. Marcelo falava isso aos berros enquanto acendia outro cigarro.
Mônica chorava, gritava e descabelava-se, andava de um lado para o outro, o ódio por Marcelo só aumentava, até que Marcelo no impulso a esbofeteia! Mônica estática, o olha ,chora e diz:
- Chegamos ao fundo do poço, mas como você mesmo diz esse é o melhor lugar, agora o que nos resta é sair daqui! E eu começo indo embora dessa casa. Indo embora da sua vida, e sabe de uma coisa nunca foi tão bem comida como hoje, lá fora tem homens de verdade, com pintos de verdade não isso aí que você chama de pinto!
Dizendo isso e mantendo a sua pose de forte ela sai batendo a porta com a certeza de que não mais voltaria para lá! Cruzando a rua, ela desaba em choro, se senta no meio fio e lá fica.
Marcelo não vai atrás, como ele sempre dizia “Começou errado, não tinha como terminar certo!”.
Mônica começa a andar sem rumo pela cidade, até que o sol começa a nascer e ela se dá conta que já não comia fazia horas, vasculha a bolsa atrás de dinheiro, nada só algumas moedas que deram para um café. Ela já não tinha mais esperança, a única opção era voltar pra casa, e se desculpar. Chegando em casa ela vê tudo destruído, entrando desesperada, ela encontra Marcelo sangrando no banheiro que está com os azulejos brancos totalmente cobertos por sangue. Marcelo que sempre fora um apaixonado por armas, usou uma, pistola taurus PT-638. Atirou na cabeça e não deixou nada, nenhum bilhete.
Mônica ri se senti vingada, escarra na cara do ex-marido. E começa a fazer os preparativos para o funeral, aquele velho mereceu, ele era fraco, provou isso com sua morte. Nada deu mais prazer a Mônica do que ver Marcelo ser enterrado, os filhos dele chorando, a ex-mulher chorando e ela sorria só sorria.





Algumas semanas depois da morte de Marcelo, Mônica se vê ,pensando no sexo com aquele estranho, ela nem se quer lembrava o nome dele se lembrava somente de um belo homem, fluindo entre suas pernas. Mas o que mais a incomodava era a mancada de terem transado sem camisinha. Com aquilo na cabeça e por precaução ela decide fazer um teste de AIDS.
Alguma coisa a incomodava, ela se sentia invadida, tomada por uma força que parecia nascer dentro dela, como se ela cultivasse um mal dentro dela, como se em suas entranhas se aninhasse o maior dos males. Chegando ao hospital Mônica encaminha-se para um consultório, atravessando os corredores, ela vê pessoas chorando, outras gritando, mas uma mulher lhe chamou atenção. A mulher com pouco mais de 30 anos, era loira, bem pequena de traços fortes e olhos profundamente negros, olhos que a lembraram daquele homem de algumas semanas atrás. Aquilo a incomodou ainda mais, aquela angustia só fez aumentar, era como se alguém implorando por amor ,gritasse em vão dentro dela. Chegando a sala, uma jovem muito simpática retira seu sangue, Mônica olha aquilo e pensa “-Ah Sangue tão vermelho. Em você há ódio, loucura e medo Oh! Vermelho de brigas viscosas de sangue. Em você ah paixão, raiva, revolta Oh! vermelho que vem a mim por todos os lados e me cerca de paixão unindo o ruim e o bom num sentimento ordinário de solidão!”.
Era somente isso que sentia solidão, quando não estava aflita pensando na possibilidade de estar doente, estava sozinha, tinha um emprego, uma casa um ex-marido morto, vários casos de uma noite e era sozinha. Enquanto andava de um lado para o outro naquele corredor, ensaiou várias vezes acender um cigarro, somente aquele aviso de proibido fumar a impedia. Aquela espera era angustiante, sem noticias, somente com a certeza de havia algo de estranho dentro dela. Em um momento cego de raiva, Mônica chora descontroladamente, senta-se e chora berra.
-Aquele desgraçado me passou isso, aquele ordinário me adoeceu, e depois sumiu.
A enfermeira aparece e Mônica arranca das mãos dela o resultado, quando se dá conta já tinha aberto o envelope, mas lhe faltou coragem para olhar, nessa altura já havia acendido um cigarro e tragava como se aquilo fosse sua salvação, a enfermeira vendo o estado dela permite, afinal elas estavam sozinhas, Mônica entrega o resultado a enfermeira e a pede para ler. A enfermeira sorri, meio sem graça, mas atende ao pedido.
- A senhora não tem AIDS. E parabéns... Dizendo isso a enfermeira sai e deixa o resultado sobre o balcão, Mônica sem entender muito bem o porquê dos parabéns pega o exame, e se choca com o que lê, não podia ser verdade, não, não para ela que tinha tanto asco daquilo. Ela estava grávida e o pai só podia ser aquele homem, que Mônica se quer sabe o nome.
Aos 16 anos ela já havia engravidado de Marcelo, e também já havia abortado, ela se lembra disso e tenta não entrar em pânico, mas é impossível ela sai dali e se senta no primeiro bar, pede uma garrafa de uísque em 20 minutos bebe toda aquela garrafa, de uísque puro depois arremata com uma taça de vinho, segundo ela, não podia exagerar na bebida. Ela se levanta e cai sentada na cadeira, não estava em condições de se levantar, o garçom tenta ajudar, mas Mônica é muito orgulhosa. E começa um verdadeiro escândalo, ela retira o exame da bolsa e esfrega na cara do garçom gritando.
- Está vendo isso? É isso mesmo eu não tenho AIDS, mas estou grávida de um homem que eu nem me lembro do nome nem do rosto, É eu sei o que você deve estar pensando eu sou uma puta, mas não nem pra isso eu me sirvo nunca cobrei!
O garçom sem saber o que fazer pede a ela que se acalme, isso enfurece mais ainda Mônica que joga a mesa no chão e sai gritando, que iria abortar que não podia ter um filho ou ele teria o mesmo fim que ela. O gerente do bar decide chamar a policia, antes que a policia chegue Mônica sai do bar e se senta na sarjeta de qualquer rua e dorme por lá. Até que com o sol nascendo ela acorda sem se lembrar direito de onde está, ela apenas se lembra de que está carregando no ventre aquilo que seria sua desgraça, aquele ou aquela que seria seu calvário. Mônica toma um táxi e se vai pra casa, lá numa tentativa estúpida de causar um aborto, abre os armários e engole todos os comprimidos possíveis, vai cambaleando até o armário de roupas, pega um cabide e em uma tentativa desesperada de matar quem a tomaria a juventude, ela enfia com força o cabide dentro da vagina, aquilo causava um dor insuportável, mas sua mente doentia não permitia que o corpo parasse a cada fincada mais corajosa ela se tornava, os remédios começaram a fazer efeito e Mônica dá um urro de dor, parecendo que não mais suportaria aquele fardo que tanto pesa em seus ombros, aquela criança não iria nascer pelo menos era nisso que pensava antes de desmaiar.
Ainda tonta, ela abre os olhos devagar, analisando o lugar onde estava. Ela estava coberta de fios, as paredes do lugar muito brancas, uma pequena janela voltada para a rua permitia que a brisa fresca entrasse.
-Bom dia. Diz a mesma enfermeira que na tarde passada dera-lhe a noticia
Mônica não responde se reserva no direito ao sofrimento, ela sabe que aquele fardo, ainda continua vivo dentro dela, ela sente e o pior ela enoja.
Já se passaram três dias e Mônica continua no hospital, totalmente muda totalmente absorta naquele mundo de fantasia para o qual ela fugira lá ela não estava grávida, lá ela nunca fora estuprada, lá ela era só Mônica sem nada nem antes e nem nada para depois. As conversas dela se resumiam a sim e não, era com esse desprezo que tratava a enfermeira e alguns amigos que vieram lhe visitar. Mais quatro dias se passaram e o Médico responsável decide dar alta a paciente, que com toda certeza voltaria a tentar se livrar do pequeno horror que crescia dentro dela. Em casa Mônica não comia, não bebia nem chorava ela só estava lá deitada esperando, aquilo decidir sair de dentro dela. Pouco mais tarde bate na porta, ela ignora alguém insiste, ela irritada e bastante debilitada se arrasta até a porta e quando abre sua mãe. A ordinária que nunca a defendeu e que a mandou direto para os braços de seu ex-marido Marcelo. Tânia tinha pouco mais de 40 anos, era uma senhora de belos traços, cabelos pretos na altura dos ombros adornavam um rosto agressivo, olhos extremamente verdes, tão fortes quanto aos da filha. Tânia sem sombra de dúvida era uma bela mulher. Tinha uma força absurda passara por muita coisa nessa vida. Mas o que tinha de bela e forte tinha de fria e grossa.
-Olha o que você virou! Foram suas primeiras palavras. – E eu que pensei que cantando você pelo menos viraria puta, nem isso quanta burrice. Então é isso que você chama de casa?
Mônica não tinha condições físicas nem psicológicas para responder a nenhuma daquelas ofensas. Deu as costas e sem dizer uma palavra voltou para o quarto. Tânia se ajeitou no quarto ao lado, foi ao hospital conversou com Dr.Paulo que lhe deu todas as informações sobre o estado da filha e sugeriu um acompanhamento psicológico. Que claro Tânia recusou, só não riu na cara do médico porque bom senso ainda lhe restava um pouco. De volta pra casa Tânia pergunta a filha se ela sabe quem é o pai, pergunta em vão Mônica continua apática, totalmente fora do ar.
-Então não fale, mas você terá esse filho, preciso de alguém para entregar meus poucos bens você já me negou um neto, eu vim para garantir que você pariria esse, se é que você é capaz disso.
Já se passaram sete meses à gravidez indesejada de Mônica se dá perfeitamente, a mãe aparentemente zelosa cuida para que tudo saia normalmente. Mônica nessa altura já conversa, mas se mantém triste se mantém apática, ela só deixa as coisas acontecerem sua mãe tomou conta das coisas. A ela restou carregar a mal dentro da barriga.  Em uma noite de inverno Mônica começa a sentir várias dores, ela soa frio, grita se mexe de um lado para o outro, ela começa a sangrar seus lençóis ficam empapados de sangue, sua mente permanece apática, mas seu corpo grita por socorro era como se o mal que ali morava quisesse desesperadamente sair dali. Aquela criança sabia que não era bem vinda, aquela criança queria sair do ventre em quem nunca foi bem quista. Tânia sem se importar com sofrimento da filha liga para ambulância com uma frieza assombrosa. Minutos depois a ambulância chega Mônica é levada para o hospital aos berros, mas ainda lúcida parecia que aquilo seria daquele jeito, ela sentiria todas as dores, chegando ao hospital Dr. Paulo a encaminha direto para sala de parto é chegada a hora. Tânia fica fora do hospital, lugar onde ela fuma seus cigarros. Mônica ainda lúcida pede para que a enfermeira acabe com aquilo, implora que a droguem, mas a enfermeira recusa aquela era uma gravidez de risco e Mônica sabia disso, percebeu quando Dr. Paulo entrou na sala preocupado, e como quem tinha de fazer uma grande escolha, um dos dois morreriam Mônica ou seu filho, Dr.Paulo, sabendo das tentativas de Mônica em abortar, esquece toda sua ética medica e decide pela vida de Marvin que apesar de prematuro nasce saudável. Mônica o vê brevemente e ali ela se apaixona, naquele momento ela amava aquela trouxinha de células, mas era tarde, Mônica sente dores fortes, seus olhos incham, suas mãos estremecem, ela tenta gritar sair daquele aparente pesadelo, mas não consegue, foi mais forte do que ela, a mãe apaixonada morre com o filho ao alcance dos olhos e Marvin nasce da mentira de dois jovens inconseqüentes.

Leonardo Amorin

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Non, je ne regrette rien

Com minhas lembranças
Acendi o fogo
Minhas mágoas, meus prazeres
Não preciso mais deles!

Varridos os amores
E todos os seus temores
Varridos para sempre
Recomeço do zero.
Não! Nada de nada...
Não! Não lamento nada...
Pois, minha vida, pois, minhas alegrias
Hoje, começam com você!